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Outro dia ouvi uma estudante de medicina citar um médico argentino. A
frase faz jus à ênfase solene e emocionada da citação, em meio a uma
reunião de autoridades e gente importante do meio médico de Maringá: “O
ser humano tem mais do que necessidades, tem desejos”.
Os Titãs definiram esta verdade na sua música, quando nos
fizeram lembrar que “a gente não quer só comida”. De fato o desejo
está acima da necessidade, no mundo civilizado, enquanto no dia-a-dia da
maioria das pessoas está preso atrás do inevitável domínio das
necessidades.
Necessidades e desejos se misturam e afastam, fazendo destes
movimentos histórias de sucessos e fracassos.
Em todas as atividades humanas “necessidade” e
“desejo” definem a natureza das iniciativas e, via de regra, o seu
resultado.
Satisfazer, apresentar soluções para a “necessidade”
de alguém ou de um grupo de pessoas é um primeiro passo para ser bem
sucedido. Mas as vezes não é o suficiente. Tanto para um produto quanto
para um serviço, o principal objetivo é alcançar o “desejo” do público-alvo,
das pessoas a quem se destinam.
Se a nossa ação, a nossa idéia, o nosso produto ou serviço
for capaz de atender à “necessidade” e despertar o “desejo”
estaremos diante de um potencial criativo com grande chance de ser um
sucesso.
Também é importante ressaltar que muitas vezes nossas ações
e realizações são soluções para as “necessidades”. No entanto, ou
não despertam desejo ou passam desapercebidas das pessoas a quem se
destinam. Assim, elas permanecem sem ser atingidas pelo trabalho que
realizamos. Aqui entra em cena a arte da comunicação. Ou seja, cada
segmento da população deve ser atingido por mídias de massa, respeitada
e privilegiada a sua linguagem, e através das mídias alternativas
capazes de causarem identificação, entendimento, gosto e aprovação.
Um bom planejamento, fundamentado numa estratégia clara,
com ações constantes, é caminho para alcançarmos objetivos em comunicação.
Ou seja, em quase tudo (ou seria mesmo tudo?). Em primeiro lugar, é
preciso resolver a MENTE (“necessidade”, razão, opinião) e, depois,
conquistar o CORAÇÃO (“desejo”, emoção, sentimentos) dos nossos
clientes (público-alvo, pessoas, comunidades).
A esta vitória da emoção, com aval da razão, podemos
chamar de encantamento. Ou de muitas outras coisas, nomes que não vão
modificar ou reduzir a força arrasadora do pensamento consciente de
querer.
Não parece mesmo ser por acaso que alguém um dia chegou a
afirmar que “querer é poder”.
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